quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Kylix


A

  Kylix seria um copo para vinho, ou mistura deste com água, em cerâmica, no qual o uso na Antiga Grécia, data pós século VI a.C.

Este objecto era típico em simpósios (1). Muitas vezes com o objectivo de entretenimento lúdico dos Kottabos(2), que teve seu inicio de difusão nos fins do século VI a.C. e atingindo seu auge nos fins do século IV a.C., quando os Kantharos, que eram utilizados para os rituais dionísicos foram tomando lugar deste artefacto em outros rituais.

Neste objecto, também imagens de deuses e heróis eram representados:
É em uma Kylix do século VI a.C. com figuras vermelhas que a imagem das Horas aparece. Assinado por Sosias, está em exposição no Antikenmuseen em Berlim.
Kylix

Dentro, uma única imagem é representada: Aquiles faz um curativo no braço de seu amigo Patroklos (Figura 1).

Figura 1
Patroklos está ferido no braço esquerdo e, seu protector, com um joelho esquerdo quase tocando o chão dá a noção de equilíbrio. Em contrapartida é a perna direita que serve de apoio ao braço ferido do companheiro.

Com o corpo um pouco inclinado para frente, Aquiles presta atenção no que está fazendo Patroklo, sentado, com uma perna dobrada e a outra (esquerda) esticada, em equilíbrio, com a cabeça inclinada ao oposto do amigo. Paramentados com suas armaduras, complementam uma acção lenta e tensa.

Em contrapartida a essa cena de amizade, está no exterior do objecto a imagem da entrada de Heracles, filho de Zeus e Alcmena(9), no Olimpo. Ali está representada a procissão dos deuses que acompanham o semideus até Zeus e Hera que, estão sentados lado a lado em tronos, na extrema-esquerda (lado A – figura 2).

No mesmo lado estão representados, Poseidon e uma deusa, enrolados em um enorme peixe e, entre os deuses marinhos está uma deusa alada (Niké(?)). 


Figura 2


Atrás de Poseidon está Afrodite e Ares e, ainda atrás deste, estão Dionysos e Ariadne, ou Semele. O deus segura uma videira de uva e a companheira usa um véu. Nos tronos estão representados leões com pele de panteras.

 É do lado B, que a cena se desenrola: as Horas (figura 3) caminham na frente, guiando Heracles até o trono de Zeus.

A primeira, identificada como Tallo (Dike), leva em suas mãos uma videira de uvas, enquanto a segunda – Carpo (Eirene) – trás na mão direita uma filial de romãs e, na mão esquerda, um ramo menor de outra fruta, que poderiam ser limões ou marmelos. A terceira, podendo ser identificada com Auxo (Eunomia), trás em uma mão um pedaço de fruta vermelha, podendo ser uma maçã. 


Figura 3
As três deusas estão vestidas iguais: com uma túnica, que é presa no ombro e, que se estende até os pés. Enfeitado, talvez bordado, até o extremo do tecido. Também usam véus compridos, que começam no alto da cabeça. Com o cabelo ainda em cortinado trazem enfeites: Tallo tem no cabelo um enfeite trançado, enquanto Carpo trás um objecto simples e fino que lhe envolve a parte superior da cabeça. Auxo trás algo que se assemelha a um gorro ou capuz.


De nariz grego, em uma linha recta que começa no topo da testa e se estende até a ponta do nariz, lábios e queixo salientes, desproporcionais ao tamanho da orelha, mostram uma marcha decidida, mas, ao mesmo tempo perdendo a noção do movimento.

Atrás destas, há duas deusas: uma, podendo ser identificada com Anphitrite (Assim como aquela que está do lado de Poseidon no lado A), e a outra, que envolve o pescoço da primeira com um braço – Hestia. Logo atrás está Hermes Kriophoros(3) segurando um ceptro, além de um carneiro jovem.

Atrás deste, está Arthemis, Heracles, que entra em cena na frente de sua protectora Athena (figura 4).

Figura 4


(1) Para os gregos e romanos, era uma pratica de convívio que se realizava depois dos banquetes.
(2) Também chamado Còttabo, amplamente difundido do mundo grego antigo, mais voltado para jogos do que para acontecimentos intelectuais como o simpósio.
(3) Hermes O bom Pastor


Dinos




O

    dinos (também conhecido como lebes), era um vaso utilizado para misturar água e vinho. O qual é composto por um corpo globular de boca larga, sem pegas. O fundo arredondado, tem como sustentação uma base inicial elaborada, na qual antecede o cilindro, que encaixa no outro extremo  por uma base de sustentação.



Usado para mesclar líquidos que eram servidos nos banquetes.

Em geral, eram bem trabalhados, com temas míticos. Como é o caso do Dinos em questão:

Decorado desde a base, tem como plano um risco que divide cada cena ou tema.

Da base até o topo, a decoração vem de acordo com o tema principal: O casamento da Nereida Tetis e Peleu.

Na mitologia, Zeus não deveria se unir a Tetis sob o risco de ter com esta um filho que seria forte ao ponto de arriscar sua soberania. Desta forma, Tetis foi entregue a Peleu.

Neste Dinos está representado o casamento, onde, desde a base até o centro do corpo globular, estão figuras de animais, sobretudo ligados as águas.

E é no plano superior que a cena se desenrola: Peleu na porta, espera a chegada dos deuses, que em primeiro lugar estão caminhando ao encontro deste.

Logo atrás, vem os carros com outros deuses: a frente de todos vêm Zeus e Hera, vestidos com um chiton(6) de capota, segurando as rédeas que estão presas aos cavalos negros – (Figura 1).


Figura 1
Atrás dos cavalos, seguem três figuras cujos nomes se perderam, podendo ser identificadas como as Horas.

Isso por se encontrarem tão próximas dos cavalos que conduzem Hera e Zeus. As suas funções no Olimpo se enquadram perfeitamente no cenário.

Suas vestes quase não se notam, tendo como principio serem encobertas pelo véu que lhes cai sobre os ombros. Este quase sem nenhum detalhe, dando uma percepção de simplicidade, como ocorre na imagem do deus que vai mais a frente (Figura 2), Dionysos, que carrega um ramo de uva nas mãos.




Figura 2


Muitas vezes também identificadas com as três deusas que estão seguindo atrás da Titanide Themis. Estas identificadas no vaso como Ninfas, seriam, talvez, também, consideradas filhas da Deusa da Justiça. Estas, provavelmente, pertenciam a um dos primeiros santuários oraculares de Dodona.

É nessas três figuras que já se notam os detalhes das túnicas, com desenho de animais, onde são encobertas com um véu que cobre dos ombros até um pouco abaixo da cintura.

 O cabelo das figuras em cortinado, tal como se denota nesta época, também nas esculturas, estão presos por um detalhe que poderia ser o próprio cabelo, ou um objecto com vista a enfeite.

As figuras em perfil, denotam um olho grande e afastado do centro, com a íris disposta centralmente, dando a impressão de estarem olhando para frente. Em algumas figuras nota-se muito bem o nariz grego, onde o fim da testa não tem uma descontinuidade com o começo do nariz. O que não acontece com as três figuras atrás de Themis. 

Ao contrario da primeira figura, atrás dos cavalos de Zeus, que tem o nariz grego bem definido.

A dinâmica da imagem está bem representada através de uma cena de desenvolvimento entre as entidades, apesar do movimento das pernas serem tensos. A marcha segue com passos duros, onde não há uma representação de passos reais, com o movimento normal de pés e pernas. Ambos os pés das entidades estão completamente fincados no chão, cortando a noção de movimentação frontal.

O que não ocorre, por exemplo, com os cavalos negros (figura 1) ou o centauro (figura 2). Este último tem uma quebra com a parte da frente do seu corpo.

Os cascos dos animais podem estar assentes no solo, mas a perna um pouco flexionada lhes tira o estaticismo, dando á marcha uma continuidade essencial que se perde um pouco nas figuras divinas.

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(1) Pano rectangular unido entre em si, fixos a nível dos ombros por meios de alfinetes e, fixos na cintura por meio de cinturões ou cordões.